
“Pai, estou na casa da Juliana.” - disse Ananda ao telefone.
“Por quê, filha?”
“Eu estava sozinha em casa e dormi assistindo desenhos na sala. Acordei com um barulho no quarto.” - Carlos gelou, mas procurou manter a calma, enquanto Ananda continuava falando: “Quando fui ver tinha uns meninos tocando pandeiro no quarto, mas eu não fiquei com medo…”
“O que fizeste então?”
“Pedi para eles saírem, mas eles não saíram. Aí eu abri a porta e falei meio brava para eles que agora era para eles irem embora, e eles foram. Aí eu fui pra casa da tia e contei a história pra ela. Aí eu vim brincar na Juliana.”
“Filhota, tu sabes que quando estás sozinha em casa tens que trancar as portas…”
“Mas eu tinha trancado, acho que eles entraram pela janela do quarto.”
“Tá tudo bem contigo? Eles não encostaram em ti?”
“Não, pai, eles nem tinham cara de bravos…”
“Tá bom, filha, eu estou indo para casa.”
Quando Carlos chegou em casa sua tia e as vizinhas já sabiam do que havia acontecido. Luís, o outro filho de Carlos chegou a dizer que viu alguns meninos com pandeiros na rua. Ananda já estava começando a ficar assustada com a repercussão da sua história, a qual não havia dado assim tanta importância. Carlos pediu a todos que não falassem mais sobre isto com Ananda para não assustá-la ainda mais. Crianças de oito anos tem uma boa carga de imaginação. Em seguida, foi tentar achar como as “visitas” haviam entrado em casa. O acesso que eles poderiam ter tido pela janela era a partir do quintal onde ficavam os cachorros, que normalmente latem por motivos muito menores. Além disto, o chão, de terra, estava encharcado, e não havia sinal algum de barro ou sujeira dentro de casa. O assunto foi também esquecido, mas agora Carlos já tinha uma boa idéia do que Ananda poderia ter visto.
<- Ananda | Prefácio | Amor ->
por Cesar Brod